A dualidade entre ser educadora de infância e ser mãe

Agora que estou prestes a ser deixar de ser apenas, menina, mulher, filha para me tornar também Mãe, começo a questionar diversos valores em que sempre acreditei e que foram traçando o meu caminho.

Nos meus tempos de estudante de Educação de Infância deparamo-nos com imensas teorias, para colocarmos em prática quando estivermos a exercer, mas sempre me fui apercebendo que o que dita a nossa capacidade de fazer a diferença, para além da teoria estudada, é sem dúvida a prática diária e as experiências que já tivemos. Não estou a dizer que quem acabe um curso não saiba nada. Como é óbvio precisa que alguém lhe dê oportunidade de crescer, mas esse crescimento faz-se de experiências e vivências. Tenho imensas colegas de profissão que infelizmente não tiveram grandes oportunidades de emprego. Outras que sempre foram arranjando, ainda que sempre muito pouco estáveis (característica da profissão), mas há sempre quem tenha a chamada “sorte” ou o que eu costumo dizer “estar no sítio certo à hora certa” e que desde que saíram do curso continuam no mesmo sítio a trabalhar e estão super bem. Isto apenas para dizer que em todas estas pessoas com experiências completamente diferentes, o que pode ou não ditar o seu sucesso e o “ser boa” ou não no que se faz, está, na minha opinião, diretamente relacionado com as oportunidades a que foi exposta e ao facto de as saber, ou não, aproveitar da melhor forma.

Resumindo, que este assunto teria pano para mangas, podemos ter todas as teorias do mundo, mas só a expeiência nos dá bagagem suficiente para podermos posicionarmos e ganharmos as nossas características tão próprias enquanto agentes de educação.

Eu, sou aquela a que chamam de educadora muito exigente. E é verdade. Muitas vezes “luto” contra isso, pensando que são apenas crianças, mas na verdade é que está na minha essência ser assim. Gosto de motivar as crianças e incentivá-las a ser sempre melhores. Gosto ainda, que se “portem bem”! Para mim o portar bem é respeitar o adulto e as outras crianças quando estes estão a falar, é ser responsável pelos espaços e materiais é mostrar interesse nos trabalhos desenvolvidos… Claro que todas as crianças são diferentes, claro que todas têm os seus interesses e nunca conseguimos ter um grupo inteiro com o mesmo nível de motivação na mesma atividade, mas exijo muito de mim também para conseguir que a maioria do grupo esteja a remar para o mesmo lado.

Sou ainda aquela que gosta muito de dar colo e abraços, mas sou a primeira a repreender, se for necessário. Ou seja, consigo separar perfeitamente a emoção da razão. Mas a realidade é que podia descontrair um pouco, eu sei.

Agora que o meu momento está a chegar, penso se serei assim também enquanto mãe. Ou se todas estas exigências sejam esquecidas e levadas pelas emoções. Confesso que penso imenso nisto. Como serei eu enquanto mãe? Falando com ligeireza, serei eu a mãe “mazona” e o pai o “fixe”? Tudo questões que pairam sobre a minha cabeça. Obviamente que só saberei quando chegar o momento, mas acho importante refletir nesta fase em que estou sobre que tipo de mãe quero eu ser? Que valores quero mostrar? Questionar determinadas atitudes que tenho no dia a dia e pensar, quando for mãe e tiver 2 olhinhos pequeninos a olhar para mim e a absorver tudo aquilo que faço e sou deverei eu agir da mesma forma?

É assustador, mas tão desafiante!

Falem sobre as vossas experiências e se estão na mesma situação. Se já são mães e educadoras de infância. O que mudou?

Se tiverem dúvidas mandem mensagem privada aqui.

Beijinhos

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