Gravidez e os ensinamentos que o Covid19 me trouxe

(…)A vida é muito curiosa mesmo. Ao mesmo tempo que me deu asas, tirou-me a liberdade.(…)

Quando o J. fez 30 anos ofereci-lhe a viagem que ele tanto queria fazer a Itália e tínhamos férias marcadas para Roma no dia 1 de março. Até calhava bem pois já sabíamos que íamos fazer esta viagem a 3 e não a 2 e era um ótimo momento para desfrutar desta nossa felicidade, aproveitar para descansar e festejar. O que eu não sabia era que o J. tinha marcado esta viagem para me concretizar um dos meus sonhos – Casar. E tinha organizado tudo para me pedir em casamento em frente à Fontana Di Trevi.

Por esta altura estava a acontecer no mundo algo que rapidamente se espalhou e se tornou numa pandemia mundial chamada Covid19 que veio mudar toda a nossa vida e forma de estar em sociedade. Infelizmente a viagem não se concretizou, mas o J. não quis deixar passar mais tempo, levou a dele à vante e pediu-me em casamento em casa na mesma hora que me iria pedir em frente à Fontana Di Trevi e nesse dia Roma veio até mim. Claro que lavada em lágrimas respondi que SIM. Fiquei sem chão. De todos as formas que imaginei aquele dia nunca poderia imaginá-lo assim, mas não é que foi perfeito?

Quando caí na realidade estava grávida e noiva e tudo parecia estar a correr tal como eu sempre desejei até que derrepente foram fechados infantários e comércio e apenas funcionavam supermercados, hospitais e farmácias. O tal vírus veio mesmo mexer com as nossas vidas.

Deixei de trabalhar no dia 13 de março, não porque quis, mas porque tudo fechou e fomos aconselhados a não sair de casa. Ficamos confinados em casa até o governo decidir que seria seguro. E aqui começa uma jornada interior dentro desta viagem que tem sido a minha gravidez.

O J. apenas assitiu à primeira ecografia e não pôde acompanhar-me em mais nenhuma consulta de gravidez. Tanto disse que nunca me ia deixar sozinha em nada que infelizmente foi obrigado a fazê-lo. Foram primeiros tempos difíceis a nível emocional, pois tudo estava finalmente a fluir como tanto desejei mas não podia vivência-lo como tanto queria. A vida é muito curiosa mesmo. Ao mesmo tempo que me deu asas, tirou-me a liberdade.

Eu e o J. éramos agora dois prisioneiros da nossa própria casa e a primeira semana desta nova realidade foi bastante complicada de gerir. Estive prisioneira 1 mês e meio sem sair para rigorosamente nada. Só o pai saía para ir às compras e mesmo assim só de 15 em 15 dias. Quando chegou o dia da primeira ecografia no hospital finalmente saí de casa e foi tão especial! Aquele caminho até ao hospital São João parecia um passeio de domingo. Usufrui tanto daquela viagem de 10 minutos como se de um longo passeio se tratasse. Aí começei a perceber a importância que momentos que, nem dava por eles, começaram a ter.

Foi um dia muito feliz. Deram-me boas notícias! A nossa bebé estava bem, com saúde! Chegamos a casa comemos a nossa pizza favorita e respiramos de alívio.

Os dias foram passando e fomos habituando-nos à ideia que iamos ter de ficar mesmo por casa nos próximos tempos e isso incentivou-nos a encontrar soluções para não nos irmos a baixo. Começei a rezar muito. Começei a fazer yoga e meditação. Comecei a fazer caminhadas. Comecei a ler livros sobre bebés. Comecei a fazer workshops para aprender mais sobre esta nova fase que aí vem e chegou ao momento que quero fazer tanta coisa que os dias passaram a deixar de parecer ter 50h para parecer que tem apenas 4h. Hoje em dia faço coisas que sempre quis fazer mas que sempre adiei porque dizia que não tinha tempo e, efetivamente não o tinha. Mas abençoada sou por ter percebido que este era o momento de investir em mim, na minha gravidez, e aproveitar para fazer tudo aquilo que sempre tinha deixado para depois.

Acredito que esta pandemia por muito má que esteja a ser por todos os motivos e mais alguns, podemos tirar algo positivo dela e a verdade é que o J. está a viver e a acompanhar a gravidez comigo lado a lado, algo que se estivessemos nas nossas vidas normais nunca iria acontecer. Sinto que estamos a passar uma lua de mel. Temos tempo para tudo! Mas especialmente para nós!

E, apesar de não estar a ir às consultas e ecografias, está presente em todos os outros momentos. Os de casa, Os nossos. Os que preciso de aconchego, de uma palavra, ou de uma simples massagem.

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